Mostrando postagens com marcador Tete. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Tete. Mostrar todas as postagens

sábado, 12 de março de 2011

Carnaval em Tete - Parte I

Quem foi que disse que em Tete não tem Carnaval? No dia 19/fevereiro aconteceu o 1º Grito de Carnaval em Tete. Foi uma grande festa, super animada!
Pelas fotos, gentilmente cedidas pelo Popó, dá pra ver a animação da galera.

Todo mundo queria aparecer na foto

Olha quanto folião


Sandro, Anna, Geruza, Helena e Bruna


A cervejinha não podia faltar


A turma de Moçambique tb participou

Teve até trenzinho


A mulherada reunida

A Revanche dos Atleticanos

Após a invasão cruzeirense na casa do Popó, no dia 12/março, foi a vez dos atleticanos.

Casal 100% atleticano: Liliane e Abdalla


Ataque atleticano a uma cruzeirense


Torcida reunida


Nuh!!!


Todo o charme da torcedora mirim


Olha só que a gente não faz pelo bem do Blog... Eu cruzeirense desde criancinha, publicando fotos da torcida rival.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Utilidade pública - O que trazer para Tete vindo do Brasil?

Outro dia a esposa de um colega que virá para Tete em pouco tempo me escreveu perguntando sobre o que trazer na sua vinda e citou itens de higiene pessoal, limpeza e até alimentícios nas suas preocupações.

Isso me acendeu uma luzinha sobre um bom post para o blog que também tem este cunho - ajudar pessoas interessadas em vir para esta terra a saberem como as coisas funcionam por aqui.

E a frase célebre de um amigo virou o melhor jargão do ano para traduzir Tete. No final do ano passado, numa conversa informal sobre a insegurança aumentando na cidade, fruto do progresso que se instala e atrai muito mais pessoas do que o lugar consegue absorver, e, sério, disparou - amigos, prestem atenção - Em 2011, Tete não será mais a mesma cidade que vimos em 2010!

Pra quê! Caímos na risada porque estávamos no final do ano e de fato, os dias passam, nada permanece inalterado. Atualíssima a colocação para ilustrar o tema angústia da Dani em seu email. Encontra-se shampoo, sabonetes, artigos de limpeza, extrato de tomate?

Encontramos SIM, graças a Deus e ao felling de alguns poucos empresários que vão se atentando às nossas incansáveis reclamações. Mas, uma coisa é verdade. Mesmo marcas conhecidas mundialmente como o famoso refrigerante da latinha vermelha, aqui tem gosto diferente. Como este, outros produtos também não são iguais, muito menos das marcas que apreciamos no Brasil querido.

Existem coisas boas, outras nem tanto! Preços, alguns exorbitantemente maiores do que no Brasil e outros, curiosamente mais baixos.

Desodorante mesmo, outro dia encontrei da marca que gosto de usar 50% mais barato do que comprava no Brasil, pensei em fazer o caminho inverso, hahaha, ao invés de vir com a mala cheia, levar daqui! Brincadeira!

Claro! Quando falo que é possível encontrar gêneros similares ou que suprem bem as necessidades que temos, é importante levar em conta o meu quase 1 ano de África que me deixa com o lombo acostumado. Aprendi a fazer muitas concessões, aprendi a tolerar muitas coisas e o minha linha de corte entre bom e ruim foi sensivelmente alterada da chegada até os dias de hoje. E é com esse olhar que transmito aqui a minha impressão de que a Tete de hoje nos oferta mais opções do que nos nossos primeiros dias.

Entretanto, é sempre válido o alerta: Se chegar no talho (açougue) e tiver filé, compre todos quantos conseguir pagar, carregar e armazenar, claro, se você tiver gerador em casa - não faça como eu que comprei e perdi tudo na falta de energia, tóin! Mas compre bastante, porque, com certeza absoluta, você irá passar mais vezes pelo mesmo talho e não encontrará o corte. Isso vale para o tal desodorante, para o refrigerante zero, para o milho em conserva, a marca de sardinha que você gostou, o queijo, iogurte, e, pasme, até para a berinjela da feira. Pode ser que no dia seguinte não tenha mais e nunca mais, rsrrsr...

Há de vir!

Traga as suas marcas preferidas das quais não abre mão nem aí no seu país, traga medicamentos de uso e preferência, traga delícias regionais, coisas típicas - isso, nem com a evolução é possível, principalmente pela cultura e tradição alimentar mesmo. Acontece em qualquer parte do mundo.

Reserve em sua bagagem espaço para seus mimos prediletos e calcule quantidades que te atendam por um período mínimo, pelo menos até algum conhecido viajar para Maputo e trazer de lá similares mais coerentes com as suas necessidades.

Venha com todas as vacinas em dia - incluindo tétano, febre tifóide, paralisia infantil, meningite, enfim, todas as recomendadas pelas autoridades sanitárias informadas da região de forte incidência de malária e doenças provenientes de saneamento básico e condições de higiene precários.

Preocupe-se com remédios controlados, anticoncepcionais, vitaminas para crianças, enfim, coisas mais difíceis de se conseguir desse lado do Índico.

Espero ter contribuído, fiquem a vontade para fazer perguntas e sugerir temas, seu comentário é muito bem vindo!

Abraços,
Anna

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Uai, África! visita Geruza e Sandro em Matema

O dia começou assim:
                                                              Visão de longo alcance
                                                            
E estava quente assim:
                                    
Ufa!
Era sexta-feira e aceitamos o convite para um café de verdade na casa de Geruza e Sandro. Chegamos na enorme casa situada no bairro residencial de Matema, em Tete e anunciamos ao atento guardinha da porta – informe à patroa que chegou a professora de balé do Sr. Sandro.

Prontamente os portões foram abertos e entramos no casarão que hoje abriga toda a família Heringer Silva – recém chegados do Brasil para longa temporada em solo africano.

Logo no início de Janeiro, após 10 longos meses separados por força das circunstâncias, juntaram-se ao atleticano Sandro, a esposa Geruza, as filhas Maria Clara e Maria Elliz, o filho João Pedro e a simpática sogra Renildes, esposa do Seu Sebastião, leitor assíduo do Uai, África, que, espertamente despachou a “Dona” para esse calorão e só fica na maré-mansa de Manhuaçu no interior da minha saudosa Minas Gerias, pescando notícias frescas da família pela net.

Reforçando o ar de “Caras” da “Consigo” na qual se transformou o Uai, África! De 2011, aproveitamos a visita como quem é solto do tronco! Tomamos café com pão de cebola e uma deliciosa broa preparada carinhosamente pela dona Renildes! Aí, seu Sebastião, tá perdendo, hein!!!

Até aquele dia, visitas residentes em Tete eram o sonho de consumo de todo morador de Matema, como ainda tinha fila na ponte que fechava às 22:00, o dead line de todo visitante de Tete era 21:30, e, conosco não foi diferente. Não sem antes tomar aquela cerveja gelaaaaada e comer o delicioso Chilli sem chilli pepper, fruto da falta de gêneros de primeira necessidade na “feira do embondeiro” em Matema (Venda sobre caixotes à sombra de um embondeiro). Para falar a verdade, a receita estava tão boa e nós, tão carentes de mimos caseiros que não sentimos a menor falta!

Depois desse banquete todo, visita ao lar doce lar decorado com refinado bom gosto do pai coruja para os pimpolhos, despedimo-nos marcando “a boa” do fim de semana e rumamos para a Ponte Samora Machel, aberta para Tete e para o merecido descanso anunciador de mais um Sábado não trabalhado! Êba!

Os registros foram feitos com a câmera do telefone, por favor, relevem a qualidade infeior das imagens.


                                                           As Marias de Geruza e Sandro
                                                         Maria Clara carregando Maria Elliz

Olha a satisfação da Vovó Renildes, tadinha,
quase derretendo no calor infernal de Tete

A Maria Elliz nos seus primeiros dias de chuquinha com água
 - tô gostando desse negócio!

Também, tomando leite 7 dias, rsrsrsrs...

Olha a mamãe aí!








Agora de banho tomado
Deve ser o terceiro ou quarto do dia, rs...




2M, Callsberg, Laurentina ou Heinekein?

Galo doido também canta em Tete

Olha ele aí! Meu amigo atleticano João Pedro
em uma de suas poucas aparições nos intervalos
entre um jogo e outro no wii - o cara não é
de muita propaganda não! rs...
Ah, e o Fabrício perdeu todas dele!!!!!

Agora a família se despede depois de ter aberto as
portas de sua casa para o Uai, África!
                                                                    O João nem aparece, era dia de clássico, hehehe!


**Seu Sebastião, este post é para nos redimirmos com o senhor pelos problemas do blog que o impediram de se conectar conosco no início de Janeiro, ok?! Voltamos a ser amigos!
 
*** Desculpem-nos, o atraso na atualização vem das oscilações de energia em minha casa desde que cheguei de Home Leave - A internet não funcionava e descobrimos por fim, depois de súplicas mil por uma solução, que, se eu quero internet funcionando, vou ter que abrir mão do ar condicionado, pelo menos até que a EDM (Eletricidade de Moçambique) resolva o problema de queda de fase na minha zona! É mole? Tô suando em bicas pra colocar esta postagem no ar, vocês nem imaginam!
 
Beijos,
Saudade...
 
Depois mando mais novidades para o ar.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Indo para o trabalho, em Tete

Passa boi, passa boiada...


"A gente ri, a gente chora, ai ai, a gente chora"

domingo, 19 de dezembro de 2010

Entre Cabritos e Catarinas...

E assim começou a minha trajetória de volta ao Brasil para o Home Leave de Dezembro.

É Natal, galera, e eu já estou doente por um pisca pisca, ruas iluminadas, Praça da Liberdade cheia até altas madrugadas, cd da Simone tocando "então é Natal" em todas as lojas daqui e dali, grandes pacotes arrastados pelas ruas por pessoas que dividiram em 18 vezes o presente do filhão só pra ver aquela carinha satisfeita, iluminada, reluzente na hora do Papai Noel!

Aqui é outro mundo mesmo.

As diferenças culturais, as marcas da guerra, a pobreza e principalmente os diferentes traços religiosos, influenciam fortemente na tradição a ponto de não se ver uma única manifestação natalina como temo costumes em nossa terra. Ao mesmo tempo que choca um pouco, nos deixa sem referência. Ficamos ávidos pela chegada ao Brasil e percebemos o quanto é forte em nós a cultura do consumo, do marco, da tradição, mesmo que o objetivo principal da renovação cristã a muito tenha se perdido para o profano.

Eu mesma posso confessar que não vejo a hora de me deparar com aqueles velhinhos fofos, redondinhos, iluminados e barbados pelas ruas e portas de loja - nem fico envergonhada de dizer que fico amolecida só de me lembrar da aura que envolve o Natal, os preparativos para a ceia, a expectativa da família reunida, a chance de realizar mais um balanço do que passou e desejar que a mudança venha de fato milagrosa ao amanhecer do novo ano.

Arranquei de Tete nessa pilha, doida para finalizar meu trabalho em Maputo e partir para o Brasil de coração aberto para sanear os pensamentos, a saudade e renovar as energias para a volta.

Mas nos 40 e poucos graus do lotado aeroporto, sem ar condicionado, senti o quanto esses últimos meses aqui me pesaram. O cansaço era tanto que a alegria da partida não conseguia aparecer - e eu suava e me incomodava e só pensava em não me aborrecer, afinal, isso também iria passar.

Bastou entrar no saguão e uma cena literalmente me revirou as vísceras - eram cabritos! Entre as "catarinas" já conhecidas da região, dezenas de cabritos recém abatidos eram revistados pelos oficiais de alfândega de Tete, no mesmo lugar em que revistam as nossas malas, sem a menor cerimônia e absolutamente nenhum tipo de cuidado de higiene - Gente, pra ser sincera, a cena era nojenta! Naturalmente que aqueles cabritos haviam sido abatidos a pouco e esvaíam sangue e água. O mau cheiro daquela carne morta, somado ao "futum" de centenas de pessoas suadas e sujas de um dia quente em Tete, tornou aquele lugar insuportável, muito mais do que qualquer outro que eu já houvera visitado - nem o Kwacena, mercado ao ar livre de Tete, pavoroso, soava tão mal em minha memória quanto aquela cena toda - o último que alguém espera de um aeroporto. Nem na menor cidade que eu já houvera visitado vi e vivi nada parecido nos terminais rodoviários - era patético passar por aquilo tudo. E não pensem vocês que eles embalariam os cabritos em caixas térmicas, isopor ou algo parecido. Mal mal enrolaram os corpos num papelão, passaram fita e despacharam como fazem nos Chapas que transitam livremente entre Tete e Moatize.



E lá fomos nós, depois do atraso, do futum, das crianças correndo pelo avião como se tivessem no playground, da mãe que ligou o celular em pleno vôo para fotografar o pentelho correndo pelos quatro cantos do avião com o consentimento da aeromoça, amiga da tal mãe... Enfim... Parecia o vôo do Cão!

Mas às 21h aterrissamos em Maputo, graças a Deus, a salvos. Tudo tinha dado certo, não?!



Não!

A beira da esteira que traria as malas do avião o mal cheiro anunciava que o vôo procedia de Tete, terra do cabrito. Como fedia, meu Deus, como fedia!Se eu pudesse, sairia a francesa e deixaria a minha mala a quem mais interessasse - ganharia o mundo com a roupa do corpo mesmo, faria melhor para o meu psiquismo.



Mas ainda não me desprendi o bastante e possuía itens ali dos quais ainda necessitava. Fiquei 20 intermináveis minutos em meio aquela gente suada e igualmente cansada, esperando seus pertences, mesmo que fossem cabritos. E ao rolar da esteira, o primeiro e "encarniçador futum" se espalhou no ar feito bomba de efeito moral - bummmmmmmm... O fedor tinha cor, feito nos desenhos animados quando a fumacinha fedorenta acompanha o gambá. Esse era assim, fumacinha acompanhando as malas na esteira.

Impressionante acreditar que, das 100 pessoas presentes, 99 ficaram fedidas e empestadas porque uma resolvera brindar a família com uma cabritada importada de Tete, pode?

E lá veio a minha mala, tão empestada quanto as outras, molhada daquela salmoura nojenta a ponto de nem o lacre de insulfime do aeroporto conseguir proteger de penetrar no bom tecido todo aquele combinado.



Conclusão: Fazem dois dias que a minha coitada está na varanda, tomando a fresca dia e noite entre borrifadas de bom ar e todos os produtos de limpeza que encontrei, para ver se chego em Guarulhos na terça sem levar na testa, digo, na mala, uma insígnia - fedeninha!

Concluí com isto que o meu senso de humor é grande responsável por eu ainda estar nesta terra, agradeci por meu vôo para o Brasil só sair na terça - ganho tempo para me livrar do "bito", fiquei brava por ter ganhado o ônus e ficar sem o bônus - puxa! Depois de ficar com a inhaca, bem que podia ter levado pelo menos um pernil! E, pela primeira vez em muito tempo, senti saudade da "catarina". O cabrito cheirava pior!



Exausta, apelo - Mãe! Eu como até frango no Natal, mas não faz cabrito não, pelo amor de Deus!

Já instalada, porém, e, quase refeita, consigo rir dessa desventura - com música de fundo, paro e ouço. Penso que seja o meu anjo de guarda personificado na divina e saudosa voz da Cássia Eller, a me ninar...

"Nem desistir nem tentar, agora tanto faz... Estamos indo de volta pra casa!"

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Mais uma nuance...

Tete de 15 dias atrás


Tete de hoje



É realmente impressionante o poder de reação da natureza.
Aqui nesta terra então, é de encabular os olhos e sentidos - antes, a aridez da cansativa paisagem monocromática, amarela, esparsa. Bastou um sopro úmido no ar elevando a umidade relativa para milhares de cores brotarem dos esqueletos pálidos das árvores. Quando a chuva caiu, trouxe consigo diferentes pássaros e outros tantos pequenos habitantes, que, alegremente circulam pelos ares, terra e água, destilando vida!



Quantas borboletas, pirilampos, andorinhas, mariposas, caramujos, quanta vida onde não julgávamos mais qualquer possibilidade...

E o verde?! São muitos, muitos tons de um verde lindo, vivo, majestoso, encantador.

Nem o calor desanima os animados bichinhos que parecem o tempo todo festejarem a fartura alimentar e ecossistêmica trazida pelas chuvas.

É um tapa de luvas de pelica! Em meio a tanta miséria, tanta pobreza, tantas necessidades das ordens mais básicas, a natureza desfila sua música e poesia pelos quatro cantos, injetando mais coragem, mais ânimo, mais motivação nos meus dias cheios e saudosos.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

No caminho para o trabalho...

Dia de trabalho, saímos para o Projeto logo cedo, após os tradicionais 60 minutos aguardando a Ponte ser liberada para o tráfego. O tempo estava nublado e quente e a paisagem era esta...

 Eu e o Gilson

Gente, isso deve pesar o equivalente
a mais de uma pessoa


Esses cabritinhos ficam todos os dias de lá para cá no asfalto,
todos renitentes! 

    Na entrada do projeto tem uma pedreira e do lado de fora dela, mulheres e crianças quebram pedras em cascalhos e vendem para compradores que param suas carrinhas em busca de insumo para construção a baixo custo.

Mais mulheres pelo caminho, levando lenha


 Andorinhas na fiação de luz

 Neste dia havia milhares delas

              Na ponte do rio Rovubwe, mulheres e crianças se banham, lavam roupas e panelas 
Notem o rio quase seco.

Boizins - Poucos dias atrás estava tudo completamente amarelo, seco, árido. Bastou uma ameaça de chuva para aumentar a
umidade do ar e as folhas verdes voltaram às árvores